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sábado, 1 de outubro de 2016

1Q84 - Livro 1


Título: 1Q84 – Livro 1
Autor: Haruki Murakami
Editora: Casa das Letras
Nº de páginas: 487

Sinopse:
Num mundo aparentemente normal e de contornos reconhecíveis, movem-se duas personagens centrais: Aomame, uma mulher independente, professora de artes marciais, e Tengo, professor de matemática. Os dois estão quase a entrar na casa dos trinta anos, têm ambos vidas solitárias e ambos se dão conta de ligeiros desajustamentos à sua volta, que os conduzirão fatalmente a um destino comum. Falta dizer que tanto um como outro são mais do que parecem: a bela Aomame, nas horas vagas, é uma assassina que mata as suas vítimas sem deixar vestígios, levando toda a gente a pensar que morreram de forma natural; o apagado Tengo, um escritor em construção, a quem o editor, Komatsu de seu nome, encarregou de trabalhar na revisão de A Crisálida de Ar, obra prometedora, nascida da imaginação (ou talvez não…) de uma adolescente enigmática, chamada Fuka-Eri.

Como pano de fundo, o universo típico da melhor ficção assinada por Murakami. As seitas religiosas, que o autor investigou a fundo para escrever um livro de não ficção, os maus tratos infligidos às mulheres na sociedade atual, e a corrupção que grassa um pouco por toda a parte, são tudo temas poderosos, entre outros, naturalmente, que o narrador disseca com precisão orwelliana.

Em 1Q84, Haruki Murakami constrói um universo romanesco em que se cruzam histórias inesquecíveis e personagens cativantes. Onde acaba o Japão e começa o admirável mundo novo em que vivemos? Uma ficção que ilumina que ilumina de forma transversal a aldeia global em que vivemos. 


AS MINHAS OBSERVAÇÕES

Sou um leitor assumido dos livros de Haruki Murakami. Mais: sou um fã da sua escrita, das suas personagens, das suas histórias e do seu universo literário. Sou tão apreciador dos livros deste escritor japonês que, na minha muito humilde e modesta opinião literária, acho que o Prémio Nobel já lhe era devido.

Murakami é um dos escritores que sigo. Com isto quero dizer que tenho todos os seus livros, e, na escolha dos livros que vou lendo, dou-lhe prioridade caso tenha algum livro seu que ainda não tenha lido. Só este ano, dos 28 livros que já li, 5 foram de Murakami.

A leitura de Murakami é fácil e flui, resultado de uma linguagem acessível, mas a história, e a maneira como é contada, deixa marcas. Quando termino um livro de Murakami, não consigo apenas chegar ao fim, ir ao Goodreads registar o fim da leitura e seguir para outro livro qualquer; fico a pensar, a digerir, com as personagens bailando suspensas na minha consciência, ficando em mim uma impressão forte que demora a passar.

De facto, no que a mim diz respeito, os livros de Murakami são de tal modo intensos que, de tempos a tempos, sinto necessidade de voltar a eles, mas, por outro lado, penso que ler dois de seguida é algo que não está ao alcance do leitor comum.

Escolhi este livro pois tenho vindo a ler os livros de Murakami pela ordem em que foram escritos e, como 1Q84 é uma trilogia composta por 3 livros e só me faltava ler mais 3 livros para terminar o Goodreads 2016 Reading Challenge, juntava-se uma coisa à outra.

Li 1Q84 – Livro 1 em pouco mais de 2 semanas, muitas vezes sentado na minha varanda, desfrutando da temperatura agradabilíssima roubada por este outono de calendário a um verão único que este ano nos brindou com momentos de praia únicos, finais de dia prazerosos e noites que eram um encanto.

Desde que 1Q84 foi lançado que eu sabia que a história teria de ter alguma relação com a conhecida obra 1984 de George Orwell, para além do facto de que tudo se desenrola entre abril e junho de 1984. De facto assim é, mas só a meio do livro percebemos a relação, bem como o título.

A narração desta história é intercalada – um capítulo sobre Aomame, outro capítulo sobre Tengo, as duas personagens principais, cujas existências são independentes e não têm qualquer relação. Pelo menos assim parece, mas, a meio do livro, as suas histórias tocam-se pela primeira vez e começam a aproximar-se.

Neste livro Murakami constrói um enredo que permite tocar temas diversos como as seitas religiosas, violência doméstica e maus tratos a mulheres, fraude e corrupção, nunca deixando, com o seu modo muito próprio, de nos levar a viver a realidade interior de Tengo e Aomame, pessoas no fundo como nós. 

sábado, 23 de janeiro de 2016

Conta-me contos



Uma das razões porque gosto imenso de ler contos é precisamente por uma das principais características deste género literário, que é a sua brevidade.

Quando me quero distrair mas não tenho mais do que 15 ou 20 minutos e não quero iniciar a leitura de um livro pois não tenho disponibilidade para lhe dar seguimento, o conto é o ideal.

Também, o conto permite-nos dar uma oportunidade a um autor que não conhecemos e ficarmos logo a saber se gostamos ou não da sua maneira de escrever. Se gostamos, podemos avançar com a leitura de um livro seu. Se não, dediquemos tempo a outras leituras pois, como dizia Manuel António Pina, há tantos livros à nossa disposição para serem lidos, que não faz sentido perdermos tempo com livros e autores de que não gostamos.

Um dos meus autores preferidos e cuja literatura sigo é Haruki Murakami. Comecei a lê-lo precisamente pelo livro de contos O elefante evapora-se.

Normalmente, tenho sempre um livro de contos em leitura. Vou lendo esses contos intercaladamente com outros géneros literários, como entrevistas, romance, poesia, etc, e como tal, a leitura de um livro de contos pode demorar-me algumas semanas ou até meses.

Atualmente, o livro de contos que tenho em leitura é A rapariga que inventou um sonho, também de Haruki Murakami.

sexta-feira, 22 de janeiro de 2016

Auto retrato do escritor


Em abril de 2013, quando ainda não tinha começado a correr, li este livro pela primeira vez. Na altura, se bem me recordo, não comprei o livro. Penso que recebi o livro como oferta na compra de outro na Fnac online.

Recordo-me, sim, e os meus registos comprovam isso mesmo, que na altura ainda não corria. Fazia caminhadas apenas. Só mais tarde, no verão de 2013, começaria a correr.

Então porque li este livro? Bem, primeiro por curiosidade. Na verdade, não existem assim tantos escritores corredores de maratonas e que escrevam sobre o assunto, pois não? Ainda mais, tratava-se (e trata-se ainda) de um dos meus escritores preferidos, de quem tenho todos os livros e já os li quase todos.

O livro consiste num conjunto de ensaios relacionados com a vida do autor enquanto escritor e corredor. Não se trata aqui de um atleta profissional, trata-se apenas de um amador para quem a corrida passou a fazer parte da vida e isso acaba por ser a ideia central do livro. 

Este livro tem a particularidade de ser o único livro (acho que não estou em erro) cuja leitura repeti. Mas as razões que me levaram às duas leituras são diferentes. Enquanto, em 2013, como referi, a leitura foi movida pela curiosidade, já agora a leitura foi mais demorada (penso que comecei a ler o livro pela 2ª vez em agosto do ano passado e apenas terminei agora em janeiro) e também mais degustativa.

sábado, 19 de dezembro de 2015

Crónica do Pássaro de Corda


A minha descoberta literária de Haruki Murakami teve lugar em 2010 com o livro de contos O elefante evapora-se e na altura disse para mim mesmo que por certo haveria de ler mais deste escritor.

Em 2012 li Sputnik meu amor e, caso houvessem algumas dúvidas para dissipar, fiquei então com a certeza de que este autor não poderia deixar de fazer parte da lista dos autores que sigo (tenho uma curta lista de autores que sigo e que se traduz em ter todos os livros desses autores bem como lê-los sem exceção).

Nesse mesmo ano de 2012 li ainda Kafka à beira-mar e Norwegian Wood. Era oficial - estava deslumbrado pelo universo literário de Haruki Murakami.

Entretanto, adquiri, sem exceção, todos os livros de Murakami publicados em português os quais tenho vindo a ler a pouco e pouco.

No início deste ano li Dança, dança, dança, por volta de junho li A sul da fronteira, a oeste do sol e agora terminei a leitura de Crónica do pássaro de corda.

Muitos consideram Crónica do pássaro de corda como a obra prima de Murakami e provavelmente será mesmo. Através de um enredo carregado de elementos inesperados e inusitados, de uma maneira mais ou menos simbólica este romance aborda temas muito variados como solidão, sentido da vida e mortalidade, relações conjugais, corrupção política, valores éticos e consciência social.

Numa palavra - soberbo.