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sexta-feira, 13 de janeiro de 2017

A minha época de corrida 2015/2016


Já há algum tempo que ando para publicar aqui um post sobre a minha época de corrida 2015/2016 pois acho que este período constitui um marco na minha vida de corredor. E que marco foi este? Foi o facto de eu ter começado a correr abaixo dos 5’/km.

Quando comecei a correr em 2013, o meu ritmo em corridas de 10 km andava pelos 5’20’’/km. Eu bem treinava e corria várias vezes por semana, mas não havia maneira de conseguir afastar-me muito desse ritmo. Então, mais ou menos no primeiro semestre de 2015 comecei a fazer treino intervalado. Não comecei logo por fazer séries propriamente ditas, mas sim corrida contínua com acelerações pelo meio. Corria 8, 9 ou 10 kms e pelo meio fazia acelerações de 500 metros ou de 1.000 metros. Por exemplo, corria 2 kms para aquecer + 1 km rápido (a 4’20’’ ou 4’30’’) + 500 metros lento + 1 km rápido novamente + 500 metros lento, e assim por diante.

Ainda antes da primeira prova após ter iniciado este tipo de treino, percebi logo que estava a melhorar. Comecei a sentir-me mais solto na corrida e reparei que era capaz de acelerar e manter um ritmo mais rápido durante mais tempo. No entanto, havia que tirar teimas em ambiente de prova. Aí é que o verdadeiro corredor mostra os resultados daquilo que anda a treinar. Em setembro de 2015 participei na Corrida do Tejo – corri os 10 km precisamente a 5’/km, ritmo que eu nunca tinha conseguido na distância dos 10 km e logo a seguir, em dezembro, corri os 10 km da Corrida Vida por Vida a 4’45’’/km. Pensei que já era oficial e empiricamente comprovada por mim a melhoria de velocidade que se alcança com o treino intervalado. Não obstante eu já estar convencido sobre os benefícios deste tipo de treino, os 10 km da Corrida de São Silvestre no dia 27 de dezembro de 2015 vieram reforçar as evidências – voltei a correr os 10 km ao ritmo de 4’45’’/km.

Na época de 2015/2016 ainda participei em algumas outras corridas de distâncias mais curtas (Grande Prémio dos Reis 2016, Corrida para a Vida Frupor 2016 e Corrida Baía de Lagos 2016) , todas com marcas abaixo dos 5’/km. Mas a cereja no topo do bolo veio com a I Corrida do Coração 2016 em Vilamoura. Nesta prova despachei os 10 km ao ritmo de 4’39’’/km, a minha melhor marca de sempre na distância.

terça-feira, 1 de novembro de 2016

Crónica de corrida - Meia Mamamaratona 2016


No passado dia 16 de outubro teve lugar, em Portimão, mais uma Mamamaratona, com duas provas de corrida associadas – uma de 10,5 km e outra de 21 km. A prova tem este nome em alusão ao cancro da mama, cujo dia mundial se celebra a 19 de outubro, sendo que o valor da inscrição revertia a favor da Associação Oncológica do Algarve.

A partir de agosto comecei a pensar nesta prova, mas sem saber por que distância iria optar. Por um lado, optar pelos 10,5 km seria mais confortável. Por outro, optar pela distância da Meia Maratona seria um desafio maior, para além de que eu ainda queria correr mais duas “meias” este ano.

Entrou o mês de setembro e os meus treinos ao fim de semana começaram a se alongar na distância, não fosse eu vir a optar pela distância maior.

Chegados a outubro e à altura de me inscrever na prova, a indecisão mantinha-se: contra os 21 km estava o percurso da prova (duas voltas de 10,5 km) que não me agradava nada; a favor, estava o facto de me andar a sentir muito bem nos treinos longos. O desafio acabou por puxar por mim – ia completar a minha nona meia maratona.

Dia da prova: eram 9 horas e estávamos a entrar em Portimão. Já com o carro estacionado, lá nos dirigimos para o local do aquecimento, onde já muita gente estava e onde alguns mais atrasados recolhiam ainda os seus dorsais.

Tirámos fotos, cumprimentamos alguns conhecidos e aspiramos o ambiente descontraído que se vivia. Para além das duas provas de corrida havia também uma caminhada de 8 km, sem qualquer caráter competitivo e ali, naquele momento, o ambiente que se vivia era sereno e descontraído.

Com o aquecimento feito, eram 9h50 e lá fomos para a zona de partida. A Maria João ia participar na caminhada de 8 km e ficou um pouco mais para trás. Já eu, procurei furar um pouco aquela massa de gente que já se juntava ali e que pareciam querer arrancar logo entre os primeiros. Perfeitamente compreensível aliás, não fossem muitas daquelas pessoas participantes na caminhada e que, ali plantados no meio dos corredores, quando soasse o tiro de partida, iriam apenas estorvar quem começaria logo a correr. Enfim…

A partida deu-se um ou dois minutos depois das 10h e a maneira como arranquei foi decisiva para o resto da prova, o que me permitiu alcançar o meu melhor de tempo na Meia Maratona.

Logo nos primeiros dois quilómetros deixei-me ir com dois amigos que iam apenas fazer os 10,5 km. Pensei “o ritmo deles é que é o ideal para mim, se entrar em grandes maluqueiras agora, pese embora me sinta bem, posso vir a pagar a fatura mais tarde”.

Logo mais, descolei dos dois amigos com que iniciei a corrida e procurei assumir o meu ritmo, atento ao corpo, procurando ajustar o ritmo ao maior ou menor cansaço que o corpo acusasse.

Chegados aqui é importante dizer que não tinha grandes expetativas para esta corrida. Isto é, estava humildemente expectante. Antes da prova alguém me perguntou se eu estava em forma. Respondi “se estou em forma, não sei; se me perguntares se tenho treinado, sim, tenho treinado; se me perguntares se me ando a sentir bem, sim, ando a sentir-me muito bem; agora, se estou em forma, não sei, vamos ver, prognósticos só depois do jogo, como dizia o outro”.

Portanto, sentia-me bem, tinha treinado, estava motivado, mas o percurso tinha algum desnível e talvez não fosse fácil de melhorar o meu tempo de 1h56’04’’. No entanto, impossível também não seria.

Como disse antes, os 21 km seriam feitos em duas voltas de 10,5 km cada. De acrescentar também que cada volta consistia em ir e vir pelo mesmo caminho, isto é, cada volta consistia aproximadamente em 5,25 km para um lado e regressar ao ponto inicial.

Logo mais na corrida os primeiros classificados começam a regressar, uns mais lançados – os que iam correr apenas 10,5 km – outros não tanto – os que iam correr os 21 km – mas rápidos na mesma, vinham no encalço dos primeiros. Aproveitei para encorajar aqueles que eu conhecia, com as palavras da ordem: “força”, “bora lá”, “vamos lá”, para além de utilizar o nome próprio de cada um também.

Chegou a minha vez de voltar também para trás – estava percorrido ¼ da prova e sentia-me muito bem. Era continuar assim naquele ritmo, abrandar um pouco se fosse necessário, e a prova tinha tudo para continuar a correr bem.

Um pouco mais adiante, perto do 7 km, apanhei mais dois amigos que iam correr os 10,5 km. Ainda fiquei com eles um minuto ou dois, trocámos algumas frases, mas acabei também por descolar deles e prosseguir. Sentia-me mesmo confortável e só pensava que, se continuasse assim, as hipóteses de baixar da 1h56’ eram muito boas.

Por volta do 10 km, quase no fim da primeira volta, apanhei duas meninas / senhoras a quem me colei um pouco e perguntei “estão para os 21 km ou para os 10,5 km?”, responderam que iam a fazer a meia, então perguntei “e têm objetivo de tempo ou é só para chegar ao fim?”, responderam que só queriam chegar ao fim. Pensei que talvez não fossem a melhor companhia, o meu objetivo não era apenas chegar ao fim. Também descolei delas.

Chegado ao fim da primeira volta, levava 57’05’’ de corrida, o que dava uma média de 5’21’’/km – “fantástico”, pensei, “mesmo com estas subidas e descidas, mas nada de entrar em euforias, ainda tenho mais outros 10,5 km para correr”.

Ao entrar na segunda volta, a prova ficou repentinamente mais solitária. A maioria dos participantes iam correr os 10,5 km e esses já tinham ficado para trás. Agora na estrada estávamos apenas os que íamos correr os 21 km.

Por volta do 13 km apanhei uma corredora com quem meti conversa e que me disse que tinha como objetivo fazer menos de 1h56’, respondi que esse também era o meu objetivo e que, se mantivéssemos aquele ritmo, íamos por certo conseguir. Como eu levava um ritmo um pouco mais rápido, acabei por prosseguir sozinho.

Mais adiante, passei um corredor a quem deixei uma palavra de encorajamento, mas, se bem recordo, acho que não ouvi nada dele em troca.

Chegado a metade da 2ª volta, aconteceu uma situação curiosa. Era o ponto de regresso, o ponto em que entrávamos no último quarto da corrida para fazer os últimos 5,25 km em direção ao final. Ora, um pouco antes do ponto em que dávamos a volta havia um ponto de abastecimento, eu recolhi uma garrafa de água e continuei a correr. Abri a garrafa e comecei a beber. Acontece que ia tão concentrado, que passei o ponto de voltar para trás! De facto, deixei de ver os cones laranja que faziam a separação das duas vias em que se corria e comecei a estranhar e foi aí precisamente que ouvi alguém chamar lá atrás “ei, é por aqui!”

Lá voltei para trás e ainda brinquei com algumas pessoas da organização que por ali estavam dizendo “Então, isto não é a maratona? Eu pensava que eram 42 km!”    

Entretanto, apercebi-me que tinha sido ultrapassado pela corredora do 13 km – a que queria fazer 1h56 – mas foi apenas uma questão de uns 2 ou 3 minutos até a apanhar novamente.

Prossegui, sozinho, e passei outro corredor talvez por volta do 17 km.

Ao 18 km sou apanhado por um corredor que levava um bom ritmo. Ia claramente mais rápido que eu. Lembro-me que lhe disse qualquer coisa, não me recordo exatamente o quê e ele perguntou “quer vir comigo?” ao que respondi “não, deixe estar, obrigado, estou bem neste ritmo”.

Ao 19 km alcancei outro corredor com quem também meti conversa. Mais tarde vim a saber que se chamava António Lourenço. Juntos fizemos os 2 km que faltavam, falámos sobre os objetivos para aquela prova, de onde éramos e dos nossos tempos nas meias maratonas que já tínhamos concluído. Reconheço que, naquele ponto da prova, ter companhia até ao final é de uma grande ajuda.

Entramos no último quilómetro e aqui há que tirar o chapéu à corredora pela qual passei duas vezes e que queria fazer 1h56. Ela passou por mim e pelo António a cerca de 500 metros da meta e chegou à nossa frente.

Nos últimos 50 metros, eu e o António aceleramos um pouco e cruzamos a meta mesmo lado a lado com um tempo de 1h54’30’’.

Para mim, esta prova foi particularmente desafiante por alguns detalhes: um percurso que não era do meu agrado, algumas subidas e descidas, uma participação reduzida na distância dos 21 km, o que levaria (como de facto se veio a verificar) correr praticamente sozinho uma boa parte do caminho.

Por outro lado, foram vários os motivos de satisfação nesta prova: apesar dos pontos que tornavam esta prova um desafio, ter melhorado em cerca de 1’30’’ o meu tempo na distância dos 21 km e ter feito toda a prova a um ritmo constante – a média da primeira volta (5’21’’/km) foi exatamente igual à média da segunda volta.

Em jeito de conclusão, dizer apenas que foi a primeira prova que corri pela equipa da Sociedade Portuguesa de Esclerose Múltipla, envergando a camisola vermelha característica da equipa. Talvez por isso, foi uma prova com um sabor especial.

sexta-feira, 14 de outubro de 2016

As minhas corridas recentes



Sei que tenho andado um bocado afastado deste blogue, quer no que diz respeito a publicações sobre corridas, quer no que diz respeito a publicações sobre leituras. Tenho plena consciência disso e gostava que não fosse assim, mas é. Ao pensar no assunto, acho que tenho andado ocupado precisamente a correr e a ler, e não tenho tido muito tempo para escrever sobre isso aqui no blogue.

Seja como for, gostava de falar aqui sobre as minhas corridas recentes. Esta época de 2015/2016 foi excelente, pelo menos no que diz respeito à minha marca nos 10 km e também em provas de distâncias mais curtas. Sobre isto penso escrever qualquer coisa dentro de muito pouco tempo.

Sobre as minhas corridas recentes, o que posso dizer? Posso dizer que tenho treinado cerca de 3 vezes por semana. Para ser mais exato, corro dia sim, dia não; é muito raro correr dois dias seguidos. Posso dizer que, em complemento à corrida, faço treino funcional uma ou duas vezes por semana. E posso dizer que, muito importante!, perdi 3 quilos no último mês.

Esta última conquista - a da perda de peso - penso que é muito importante: se tenho menos peso, consigo correr mais depressa! Não tem sido muito difícil: estratégia, objetivo e focalização têm sido determinantes.

Já notei que quando treino com uma prova em mente, isso me ajuda a ser mais focado nos treinos e na alimentação que faço. Sendo assim, agora procuro ter sempre um objetivo de corrida. Presentemente, esse objetivo é a Mamamaratona 2016 em Portimão, no próximo domingo - vou correr 21 km. A seguir, será a Corrida dos Bombeiros em Lagos, no dia 30 de outubro. Depois, provavelmente serão as X Milhas do Guadiana e a Meia-Maratona de Tavira (ou a de Vilamoura), em novembro. A partir de dezembro, logo se verá.

terça-feira, 10 de maio de 2016

Crónica da EDP Meia Maratona de Lisboa 2016


A EDP Meia Maratona de Lisboa 2016 foi a minha 7ª meia-maratona. A minha primeira meia-maratona tinha sido precisamente há 2 anos atrás, também a atravessar a ponte 25 de abril.

Para esta corrida este ano eu trazia um objetivo: correr os 21 km em menos de 1h56’. Acho que o objetivo não era ambicioso, senão vejamos: 2h19’, 2h06’, 2h02, 1h59’, 1h56’, 1h56’ – este era o meu historial de tempos na distância dos 21 km. Desde a primeira meia-maratona em março de 2014, tinha vindo sempre a melhorar o tempo, portanto parecia-me plausível querer baixar da 1h56’.

A corrida teve lugar no dia 20 de março, um domingo, e nós chegámos a Lisboa no sábado ao final do dia. Éramos um grupo de 9, ao chegarmos deixamos as coisas no hotel e fomos jantar. Ao terminar o dia, combinamos as horas de sair do hotel na manhã seguinte, para termos tempo de comer alguma coisa e apanharmos o comboio que nos levaria ao outro lado da ponte, até à estação do Pragal.

No dia da corrida, levados pelo comboio que apanhamos na estação de Entrecampos, chegados à estação do Pragal, lá seguimos aquele imenso manancial de gente que pareciam formigas alinhadas nos seus carreiros, como se algo invisível as comandasse.

Já no tabuleiro da ponte houve então tempo para tudo: tempo para andar por ali de um lado para o outro, tempo para sentar no chão ou num lancil e ficar a ouvir música, tempo para fazer xixi numa das casas de banho disponíveis, tempo para correr calmamente para diante e para trás aquecendo os músculos, os tendões e as articulações, tempo para arrefecer e ter que se voltar a correr, tempo para ver o helicóptero que nos sobrevoava filmando-nos com as imagens sendo transmitidas em direto pela RTP, tempo para fazer um último xixi e ficarmos, enfim, a apenas 15 minutos do sinal de partida.

Estava uma temperatura muito agradável, entre o frio e calor diria que estava mais para o calor que para o frio. Naqueles últimos minutos antes da partida, olhamos para o relógio várias vezes, esperando ansiosamente pelas 10h30 para começarmos a correr.

10h25, olha-se mais uma vez para o relógio, escuta-se as conversas das pessoas em redor. Cinco pessoas, mesmo à frente, combinam uma ida ao norte para a Meia Maratona do Douro Vinhateiro.

10h27, está quase, o helicóptero passa sobre nós mais uma vez, o speaker encarregue da animação diz para acenarmos e todos fazemos isso, mais para que o tempo passe rapidamente do que propriamente entusiasmados pelo ato em si.

10h29, não tarda nada estamos a correr, dá-se mais um pulo ou dois sentindo os músculos e também o nervoso miudinho que sempre antecede o tiro de partida.

10h30, a multidão começa a avançar e percebemos que o tiro de partida já soou, pese embora não o tivéssemos ouvido. Ainda demoramos uns minutos a cruzar a linha de partida e então começamos a correr, devagar ainda, mas já é melhor que estar parado.

Nesta prova tinha decidido correr sem olhar para o relógio, tal como tinha feito na última Corrida do Tejo, bem como na última Corrida de São Silvestre. Tal como fiz nessas provas, iria correr apenas ouvindo o corpo, não me deixando influenciar pela informação do relógio de pulso.

A partida nesta prova é sempre difícil dado o elevado número de participantes, mas penso que a partir do meio da ponte já se corria a um ritmo mais ou menos decente (entre 5’30’’ e 6’ por km).

Já do outro lado da ponte, por volta do 8 km, começo a sentir bolhas em ambos os pés. Tinha comprado recentemente ténis, não era a primeira vez que corria com eles, mas era inegável que as bolhas ali estavam e em ambos os pés! Prossegui a pensar como é que me ia aguentar durante mais 13 kms se já estava a sentir bolhas nos pés.

Também, mais ou menos por esta altura, começo a aperceber-me de que tinha arrancado depressa demais para quem ia correr 21 kms e não 10 ou 15. Começam a passar-me todo o tipo de pensamentos pela cabeça, sendo o da desistência da prova o mais radical de todos.

Levado por aquele rio de gente que parecia correr sem razão, como se todos tivessem sido previamente programados para o fazerem, continuei e por volta do 13 km cedi: encostei-me ao lado, deixei de correr e passei a andar apenas. Andei cerca de 600 metros, o que me permitiu arrumar ideias na minha cabeça e descansar um pouco. Claro está que, logo ali, deixei cair por terra o objetivo de fazer a prova em 1h56’.

Enquanto caminhava ia olhando para os corredores que passavam por mim e procurava identificar alguns daqueles que tinham vindo comigo a Lisboa para esta prova. Eles passavam às dezenas, parecia ser difícil olhar para todos, mas a cor das camisolas iria ajudar de certeza, só tinha que estar atento a camisolas rosa escuro. Bastava-me identificar um, colava-me e iríamos juntos até ao final.

Infelizmente não consegui identificar nenhum amigo, nem um! Lá teria que fazer o resto da prova apenas baseado na minha determinação, na minha força de vontade e na minha decisão de terminar.

Recomecei a correr, mas a um ritmo bastante abaixo daquilo que tinha feito até ao 13 km. O objetivo já só era terminar, o resto já não importava.

As bolhas não me davam tréguas, mas já tinha passado o ponto de não retorno e, portanto, restava-me apenas esforçar-me para chegar o mais depressa ao final. Quanto mais rápido terminasse, mais rápido daria descanso às pernas, aos pés, a tudo!

Quando estamos no estado de espírito em que eu estava, o 17,5 km é muito duro. É aquele ponto em que voltamos para trás em direção à meta, de onde viemos, e pensamos “agora, tenho de fazer isto tudo de volta até terminar”.

Mas tinha de ser e, como diz o povo, o que tem de ser tem muita força. Faltavam 3,5 km, não era? Portanto, era 3,5 km que eu tinha de correr. De facto, aqueles últimos 2 kms, não tendo sido brilhantes, foram os menos maus de entre os piores.

Chegado ao fim, ficaram para a posteridade 21 km corridos em 2h05’22’’.

sábado, 23 de abril de 2016

domingo, 7 de fevereiro de 2016

As minhas próximas provas



Depois de no ano passado ter batido, por várias vezes, o meu recorde pessoal dos 10 km e da meia maratona (21 km), tenho alguma curiosidade sobre como me irão correr as minhas próximas provas - o Grande Prémio Carlos Calado em Messines, a 6 de março, e a Meia Maratona de Lisboa no dia 20 de março. Tanto numa prova como noutra, vou atirar-me aos 21 km.

A próxima prova será, portanto, a 6 de março. Uma vez que o Grande Prémio Carlos Calado terá também a distância de 7 km, sei que não haverá muita gente a optar pela distância dos 21 km. Mas isso para mim não importa, já decidi que em março farei 2 meias maratonas. E, expectavelmente, em cada uma delas conseguirei bater o meu recorde pessoal.

Particularmente, penso que a Meia Maratona de Lisboa é uma boa prova para se conseguir um bom tempo. Por duas razões: o número de participantes obriga-nos a um arranque lento, o que pode ser positivo, pois obriga-nos a guardar a energia para o final, e em segundo lugar, o percurso não tem qualquer subida.

Tenho treinado com as provas de março em mente. Faço 3 treinos por semana: corrida longa ao fim de semana + treino intervalado com acelerações de 1.000 metros intercaladas com 500 metros de corrida lenta + uma corrida apenas "a rolar". Em cada semana vou intercalando o treino intervalado com treino de subidas. Adicionalmente, 2 ou 3 vezes por semana faço treino funcional em casa, nomeadamente, pranchas, flexões, vários tipos de abdominais e outros exercícios que puxam pelos músculos core.

Também, se tudo correr como estou a prever, quando chegar a 6 de março terei menos de 80 kg, o que, obviamente, terá o seu impacto positivo na minha corrida.

terça-feira, 12 de janeiro de 2016

Correr com um objetivo


Ao contrário do que sucedia há uns tempos atrás, presentemente não consigo apenas correr por correr. Isto é, antes eu corria apenas porque gostava de correr e me sentia bem com isso. Mas atualmente não não é assim, preciso ter um objetivo em mente, como uma determinada prova em que posso superar-me, correndo uma distância maior nunca antes corrida por mim (como uma maratona, por exemplo) ou então correndo ainda mais rápido uma distância que já corri anteriormente (como os 10 km ou a meia maratona).

Assim, na minha mente tenho já a próxima prova em mente: a Eco Meia Maratona de Vilamoura, que terá lugar a 6 de março. 

No ano passado fiz a Eco Meia Maratona de Vilamoura em 2h02' e depois disso já melhorei a minha marca na meia maratona por 3 vezes. Recentemente em Évora fiz 1h56'04''.

Assim, o objetivo para o dia 6 de março será: correr os 21,195 metros em menos de 1h56'.

domingo, 10 de janeiro de 2016

Grande Prémio dos Reis Faro 2015


Ontem em Faro teve lugar o XLVI Grande Prémio dos Reis, prova organizada pela Associação de Atletismo do Algarve.

O evento consistia de uma prova para populares com a distância de 7,1 km, várias provas para crianças e jovens (benjamins, infantis, iniciados e juvenis), uma prova para júniores, seniores e veteranos femininos com a distância de 5,1 km e uma prova de 7,5 km para júniores, seniores e veteranos masculinos. Eu corri nesta última prova.

Sabia que ia correr 7,5 km, de modo que fiz as minhas contas no sentido de fixar um objetivo desafiante mas atingível. Ora, tendo em conta os tempos conseguidos nas últimas provas de 10 km em que participei (Corrida do Tejo 2015, Corrida Vida por Vida 2015 e São Silvestre 2015), achei por bem fixar um objetivo de 34 minutos para percorrer os 7,5 km. Isto daria uma média por km de pouco mais de 4'30''.

No final dos primeiros 400 metros, ao passar na linha da meta para entrar na 1ª volta grande, estava praticamente em último mas, desse ponto até ao final, se bem me recordo, foi sempre a passá-los. Ao consultar agora as classificações oficiais constato, com surpresa, que passei 28 corredores e não fui ultrapassado por nenhum. Foi, portanto, uma corrida de trás para a frente.

Ao fim da 2ª volta grande em que ainda faltava mais uma volta grande (2.350 metros) sentia-me muito cansado e a entrar naquele ponto em que, se prosseguisse, estaria a desafiar os meus limites. Lembrei-me das minhas palavras cerca de uma hora antes para uma amiga com pouca experiência de corrida "primeiro objetivo: chegar ao fim; segundo objetivo: fazer tudo a correr". Prossegui. Se era necessário quebrar mais um limite, assim seria.

Daí até ao final senti que o meu ritmo quebrou mas agora, ao olhar com detalhe para os tempos da prova, verifico que a quebra não foi assim tão significativa. Acho que era até mais psicológico que outra coisa qualquer.

Nos últimos 200 metros até à meta acelerei para ganhar mais alguns segundos e foi com um ENORME sentimento de SUPERAÇÃO e CONQUISTA que terminei a prova com o tempo de 33'48''. Objetivo alcançado!

domingo, 3 de janeiro de 2016

São Silvestre de Lisboa 2015


No passado dia 26 de dezembro realizou-se em Lisboa a corrida de São Silvestre 2015 promovida pelo El Corte Inglês. A prova já vai na 8ª edição e os 10 km são corridos pelas ruas da capital num ambiente festivo alinhado com a própria época do ano.

Desde 2013 que participo nesta corrida e este ano também não quis deixar de participar, até porque tinha uma grande expetativa pessoal em relação à prova pelos treinos que tenho andado a fazer. Tenho feito treinos de Fartlek desde há uns tempos a esta parte e já tenho visto alguns resultados.

Em setembro, na Corrida do Tejo, fiz os 10 km em 50'05'' e esse foi o meu melhor tempo nos 10 km até essa altura. Já no inicio de dezembro, na Corrida Vida por Vida em Lagos, corri os 10 km em 48'46'' e esse passou a ser o meu melhor tempo nos 10 km. Agora, na São Silvestre como é que me ia sair? Será que ia conseguir melhorar o meu tempo? Conseguiria mais uma vez correr os 10 km em menos de 50 minutos? Estava confiante que era capaz mas não queria colocar as expetativas muito altas.

Um dos problemas desta prova, para quem quer bater o seu recorde pessoal, é o número de participantes - este ano estavam inscritas 12 mil pessoas. Torna-se dificil correr com espaço, sem quase tocarmos em alguém, logo que o percurso começa a afunilar na Praça D. Pedro V. Mas para ultrapassar esta situação eu tinha a minha própria estratégia.

A partida iria ocorrer em várias vagas. A primeira vaga seria composta pela elite feminina, depois a elite masculina juntamente com os sub-50 (corredores que comprovadamente correm os 10 km em menos de 50 minutos), depois os sub-60 (onde estava eu), e por último os restantes corredores.

Assim, qual a minha estratégia? No meu bloco de partida, ficar logo na frente. E assim foi. Mal os blocos de partida abriram, eu entrei para o bloco sub-60 e aguardei. Quando chegou a minha partida todos os corredores que tinham partido antes de mim já iam bem na frente e, como tal, não haviam corredores mais lentos à minha frente que me impedissem de correr à vontade.

Logo ao partir pude verificar que a minha estratégia não podia ter sido mais acertada - corri sem impedimentos, sem pisar os calcanhares de ninguém, sem mudanças de ritmo para não abalroar ninguém e tenho consciência de que também não estorvei a corrida de ninguém.

Assim, do inicio ao fim corri a um ritmo praticamente constante. De facto, corri o 1º km ao ritmo de 4'46'' que foi precisamente a minha média final - 4'46''/km.

Tal como já tinha feito na Corrida do Tejo, voltei o relógio para baixo e não lhe pus a vista em cima até terminar a corrida. Não queria ser influenciado pelo que o relógio indicava, apenas pelos sinais que o meu corpo ia dando.

Durante todo o percurso (sempre plano) tinha a consciência que tudo estava a correr e muito provavelmente ia conseguir superar-me. No entanto, a parte mais difícil da prova é a parte final em que temos de subir a Avenida da Liberdade até à rotunda do Marquês.

Por volta do km 7,5 começamos a subir e procurei manter uma boa postura a correr: cabeça levantada, olhar em frente, passada um pouco mais curta e rápida, braços soltos a ajudar todo o balanço do corpo em frente. E depois de muito subir e quase amaldiçoar o Marquês de Pombal por ter arquitetado uma avenida tão comprida, lá chegamos à famosa rotunda para corrermos pouco mais de 1 km sempre a descer. Aí foi soltar a passada e dar tudo até à meta.

Mais tarde quando consultei os detalhes da prova gravados pelo meu relógio, foi com muito agrado que verifiquei que corri o km até à rotunda do Marquês em 5'15'' e corri o ultimo km (sempre a descer) em 4'20''. Isto é, a média por km dos 2 últimos kms foi muito idêntica à média final da prova que, como referi, foi de 4'46''/km.

Em suma, fiz a minha melhor marca aos 10 kms e cheguei ao fim muito satisfeito comigo mesmo.

domingo, 6 de dezembro de 2015

3ª Corrida Vida por Vida Lagos



Hoje de manhã participei em mais uma corrida de 10 km. Desta vez foi na 3ª Corrida Vida por Vida em Lagos.

Como sempre, esta foi uma corrida em que a principal competição era comigo mesmo. Tinha definido como objetivo completar os 10 km em menos de 50 minutos. Achei que o percurso ia ajudar, a temperatura também e os treinos que tenho feito também.

Já aqui escrevi como tenho vindo a incorporar o Fartlek como parte dos meus treinos. E estava curioso para ver até que ponto este tipo de treino tem melhorado a minha capacidade anaeróbica.

A corrida correu-me (passe a redundância) muito bem. É verdade que tive que ter algum cuidado no início para não me deixar levar pelo ímpeto do tiro de partida. Diz-me a experiência que arrancar muito depressa em relação ao que estou habituado é absolutamente contraproducente na medida em que o tempo que ganho nos primeiros kms acabo por o perder todo nos últimos kms da corrida.

Tive isto em mente e procurei não arrancar demasiado rápido. Foi preciso alguma contenção mas consegui.

Até ao 2º km fui ultrapassado por muitos corredores (estavam 156 corredores em prova) mas a partir do 3º km até ao final ultrapassei 22 corredores. Portanto, fiz uma corrida de trás para a frente.

À semelhança do que fiz na Corrida do Tejo este ano, decidi que durante a corrida não ia olhar para o relógio uma única vez. De facto, voltei o relógio para baixo para não cair na tentação de olhar. No início da corrida carreguei no botão para iniciar e no final carreguei no botão para terminar. Durante toda a corrida limitei-me a "ouvir o corpo" para saber se devia abrandar, manter o ritmo ou acelerar.

Ao longo dos kms tinha a noção que ia num bom ritmo e que, a manter-se até ao fim, iria alcançar o meu objetivo de terminar abaixo dos 50'. No entanto, a corrida só termina na meta...

A partir do 8º km senti o cansaço a chegar-me - precisamente na altura em que começamos a subir. Procurei gerir o esforço: abrandar um pouco (depois da subida ainda tínhamos o km final até à meta), mas sem ser lingrinhas - no pain, no gain. De facto, o km 8 foi o mais lento - foi o único km em que demorei mais de 5'', todos os outros corri-os em menos de 5'.

No km final procurei manter o ritmo apesar de me ter sentido tentado a dar logo tudo por tudo, mas procurei guardar-me um pouco para não quebrar nos últimos metros. Nos últimos 300 metros sprintei e cheguei à meta a correr a menos de 4''/km.

Segundo o meu relógio: distância: 10,3 km; tempo: 48'53' - o que dá uma média por km de 4'46''.

Resta-me apenas dizer que fiquei mesmo MUITO satisfeito comigo mesmo pelo que consegui alcançar, mas não apenas por isso: a minha cara-metade também completou os 10 km no seu melhor tempo de sempre. Estamos ambos de parabéns!

Running 06-12-2015 10:34